Flamengo faz história perdendo 4 pênaltis e é derrotado pelo PSG

O Flamengo não perdeu a final da Copa Intercontinental apenas nos pênaltis. Perdeu no jogo, no conceito, na intensidade e na capacidade de competir em alto nível. Diante do PSG, atual campeão da Champions League, o time brasileiro foi figurante em uma decisão que escancarou, sem maquiagem, o abismo entre o futebol sul-americano e a elite europeia.
Desde o apito inicial, o cenário foi de submissão. O PSG controlou a posse, impôs ritmo, pressionou alto e jogou praticamente no campo do Flamengo. O Rubro-Negro correu atrás da bola, se defendeu como pôde e só respirou quando o adversário reduziu o ritmo — nunca por mérito próprio.
O gol de Kvaratskhelia, após falha de Rossi, não foi acidente, mas consequência direta da pressão constante. O empate veio em pênalti, em um lance isolado, quase fortuito, após falta de Marquinhos em Arrascaeta. Fora isso, o Flamengo foi inofensivo, previsível e tecnicamente pobre.
A prorrogação apenas prolongou o inevitável. E nos pênaltis, o vexame ganhou contornos históricos. Quatro cobranças desperdiçadas — Saúl, Luiz Araújo, Pedro e Léo Pereira — não são azar: são reflexo de um time despreparado emocionalmente e sem hierarquia em momentos decisivos.
O mais constrangedor é que o carrasco foi Safonov, goleiro reserva, acionado após a lesão de Chevalier. Mesmo assim, defendeu quatro pênaltis e saiu consagrado, enquanto o Flamengo se afundava em erros básicos e escolhas duvidosas.
O PSG ainda desperdiçou duas cobranças com Dembélé e Barcola, mas a diferença técnica era tamanha que nem isso foi suficiente para equilibrar a disputa. Nuno Mendes e Vitinha converteram com naturalidade, fechando uma final que jamais esteve sob real ameaça.
No fim, não há discurso, arbitragem ou acaso que expliquem o resultado. O Flamengo foi inferior do primeiro ao último minuto. A final serviu apenas para reforçar uma verdade incômoda: quando enfrenta o mais alto nível do futebol mundial, o Rubro-Negro — e boa parte do futebol brasileiro — ainda está muito distante de competir de igual para igual.

