
O ano de 2026 começa com indefinições relevantes no tabuleiro político do Rio Grande do Norte, e uma das mais importantes diz respeito ao futuro do senador Rogério Marinho. A dúvida que se impõe é objetiva: ele disputará o Governo do Estado ou assumirá definitivamente um papel estratégico na coordenação da campanha presidencial do Partido Liberal?
Os fatos observados até aqui apontam de forma consistente para a segunda alternativa.
Rogério Marinho jamais confirmou de maneira categórica sua candidatura ao Governo do RN. Ao longo dos últimos meses, manteve o discurso condicionado ao cenário nacional, utilizando reiteradamente a hipótese como elemento central de suas declarações. O “se” nunca foi apenas retórico, mas um indicativo claro de que sua decisão dependeria de fatores externos ao Estado.
Mais revelador ainda é o comportamento recente do senador nas redes sociais e em manifestações públicas. O conteúdo divulgado concentra-se quase exclusivamente em temas da política nacional, sem menções ao Rio Grande do Norte, aos desafios locais ou a propostas voltadas à realidade estadual. Trata-se de uma agenda incompatível com quem se prepara para disputar o comando do Executivo potiguar.
Esse movimento se explica pelo papel que Rogério passou a exercer no plano nacional. Designado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como seu representante nas decisões estratégicas do PL, o senador foi alçado à condição de coordenador-geral da campanha presidencial do partido, cujo nome indicado é o do senador Flávio Bolsonaro. A missão é ampla e central: desde a articulação política até a coordenação da elaboração do plano de governo que será apresentado ao país.
A função confere a Rogério Marinho visibilidade nacional, poder de articulação e protagonismo político. Mais do que isso, o coloca em posição privilegiada na disputa pelo comando do Senado a partir de 2027, especialmente diante da expectativa de fortalecimento da bancada da direita na próxima legislatura, independentemente do resultado da eleição presidencial.
Diante desse cenário, torna-se pouco plausível imaginar que Rogério Marinho abra mão desse espaço estratégico para se lançar em uma disputa regional de alto risco político. No Rio Grande do Norte, o ambiente eleitoral não lhe é confortável e a possibilidade de derrota é hoje superior à de vitória.
Editorialmente, a leitura que se impõe é clara: Rogério Marinho tende a priorizar o projeto nacional. A disputa pelo Governo do Estado, ao que tudo indica, não faz mais parte de seus planos imediatos.
O anúncio oficial dessa decisão deve ocorrer em breve. E quando vier, apenas confirmará aquilo que os fatos já revelam.

