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Polícia Civil afasta três agentes após morte de servidor da Câmara de Almino Afonso durante abordagem

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) informou, nesta terça-feira (13), o afastamento de três agentes envolvidos na intervenção policial que resultou na morte de Douglas Rebouças da Silva Cavalcante, servidor da Câmara Municipal de Almino Afonso. O caso ocorreu na noite do último sábado (10), em uma área entre os municípios de Lucrécia, Frutuoso Gomes e Almino Afonso, no Oeste potiguar.

Segundo a corporação, a apuração dos fatos está sendo conduzida pela Delegacia Especializada em Crimes Funcionais, vinculada à Corregedoria-Geral da Polícia Civil, que instaurou procedimento investigativo e determinou as medidas cabíveis.

Por determinação da delegada-geral Ana Cláudia Saraiva, as armas de fogo utilizadas pelos policiais na ação foram recolhidas. O afastamento dos agentes segue o que prevê o Artigo 15, inciso XIV, da Lei Complementar nº 270/2004, que rege a Polícia Civil do RN.

Em nota oficial, a PCRN afirmou que “reafirma seu compromisso com uma investigação isenta e imparcial, respeitando o devido processo legal, sem antecipação de culpa, de forma transparente, dentro da legalidade, com atenção à proteção da vida e aos direitos da sociedade potiguar”.

Versões divergentes sobre o caso

O episódio é cercado por versões conflitantes apresentadas por testemunhas e pela Polícia Civil.

De acordo com relatos de familiares e pessoas que estavam no local, Douglas seguia em uma motocicleta com um primo adolescente, enquanto um amigo trafegava em outra moto. O grupo teria sido liberado após uma blitz da Polícia Militar e, pouco tempo depois, se deparou com uma segunda abordagem, atribuída à Polícia Civil.

Ainda segundo essa versão, a suposta abordagem teria ocorrido sem sinalização adequada e em um trecho escuro da via, o que teria provocado pânico nos jovens, levando-os a acelerar as motocicletas. Testemunhas afirmam que disparos foram efetuados, Douglas foi baleado e morreu ainda no local. O primo teria sido atingido na mão e socorrido.

A área foi isolada pela Polícia Militar, o corpo passou por perícia, e familiares cobram esclarecimentos. Eles alegam falta de pronunciamento imediato das autoridades e informam que protestos estão sendo organizados em busca de respostas.

Versão da Polícia Civil

Já a Polícia Civil sustenta que foi acionada ainda na noite da sexta-feira (9) para atender uma ocorrência de homicídio no centro de Frutuoso Gomes. Durante as diligências, surgiram informações de que suspeitos estariam circulando em uma área de mata entre Frutuoso Gomes e Lucrécia, possivelmente aguardando resgate.

Diante dessas informações, a corporação afirma que foram montadas barreiras policiais para abordagem, com equipes uniformizadas e viaturas caracterizadas.

Segundo o relato oficial, por volta de 1h30, duas motocicletas se aproximaram do bloqueio. Uma delas teria obedecido à ordem de parada, enquanto a outra, conduzida por Douglas Rebouças, teria avançado contra a barreira policial e efetuado disparos de arma de fogo contra os agentes.

Ainda conforme a Polícia Civil, Douglas foi atingido durante a ação, caiu alguns metros à frente e recebeu socorro imediato, sendo encaminhado ao hospital mais próximo, onde não resistiu aos ferimentos.

Investigação em andamento

O caso segue sob investigação da Corregedoria da Polícia Civil, que deverá esclarecer as circunstâncias da abordagem, a dinâmica dos disparos e a compatibilidade entre as versões apresentadas. Até a conclusão do inquérito, os agentes permanecem afastados de suas funções operacionais.

Familiares contestam versão policial

Familiares e testemunhas ouvidas afirmam que Douglas Rebouças não estava armado no momento da abordagem. Segundo esses relatos, os policiais teriam efetuado disparos sem qualquer aviso prévio ou ordem clara de parada, o que contradiz a versão apresentada oficialmente pela Polícia Civil.

De acordo com os familiares, Douglas não possuía antecedentes criminais e exercia regularmente a função de servidor da Câmara Municipal de Almino Afonso. Eles sustentam que o jovem foi surpreendido pela ação policial e não teve chance de reagir ou compreender que se tratava de uma abordagem, reforçando a tese de execução injustificada.

As testemunhas também negam que tenha havido troca de tiros e afirmam que nenhuma arma foi encontrada com Douglas após o ocorrido, ponto que deverá ser esclarecido pela perícia técnica e pelas investigações conduzidas pela Corregedoria da Polícia Civil.

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