
Recuo de Walter Alves vira símbolo de covardia política e gera revolta popular
A decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o Governo do Rio Grande do Norte deixou de ser apenas uma escolha política e passou a ser encarada, por grande parte da opinião pública, como um gesto de covardia e fuga de responsabilidade. A reação nas redes sociais é dura, direta e majoritariamente condenatória, refletindo o sentimento de indignação de quem esperava postura, coragem e compromisso institucional.
Nos comentários publicados em blogs e páginas políticas, a crítica é quase unânime: Walter tinha o dever constitucional de assumir o comando do Estado e preferiu se esconder diante da crise. “Se é o vice-governador, tem que cumprir a tarefa”, escreveu uma internauta. Outro foi ainda mais incisivo: “Fugir não é estratégia, é covardia”.
A fala do ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves caiu como combustível nesse ambiente de revolta. Ao afirmar que Walter “não vai enfrentar, está com medo e vai se esconder”, Henrique vocalizou o que muitos eleitores já pensavam. A repercussão mostra amplo apoio à declaração, inclusive de pessoas que tradicionalmente não concordam com o ex-presidente da Câmara, mas que, neste episódio, reconhecem a fragilidade da decisão do vice-governador.
As críticas também expõem o desgaste interno do MDB. Militantes e simpatizantes acusam Walter de manchar a história de um partido que sempre se orgulhou de enfrentar momentos difíceis, inclusive sob a ditadura militar. Para muitos, o gesto rompe com o legado de líderes como Aluízio Alves, Agnelo Alves e Garibaldi Filho, que nunca se furtaram ao confronto político quando o dever chamou.
Expressões como “o vice dançou”, “mamou até o último dia” e “fez um papel muito fraco” se repetem nos comentários, revelando um julgamento severo e sem filtros. Há quem diga, inclusive, que Walter não deveria sequer continuar recebendo salário após abdicar da responsabilidade maior do cargo que ocupa.
O fato é que, ao evitar assumir o Governo, Walter Alves não escapou da crise, apenas transferiu o peso político para sua própria biografia. O episódio já é visto como um divisor de águas: um ato que fragiliza o MDB, afasta aliados, alimenta a revolta popular e consolida a imagem de um líder que, no momento decisivo, escolheu recuar em vez de governar.

