
O cenário político no Rio Grande do Norte entrou em fase de forte indefinição com a confirmação de que a governadora Fátima Bezerra (PT) renunciará ao cargo em abril de 2026 para disputar o Senado Federal, abreviando seu mandato no Executivo estadual. A situação se complica ainda mais com a decisão pública do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o governo após a saída de Fátima, o que pode ativar um mecanismo constitucional pouco comum no estado: a eleição indireta para governador e vice-governador.
Por que a eleição indireta será necessária
Segundo especialistas em direito constitucional, quando há vacância simultânea do governador e do vice — como ocorre no caso do RN — a Constituição prevê que o novo ocupante do cargo seja escolhido indiretamente pelos deputados estaduais, em uma votação na Assembleia Legislativa do Estado. Esse processo é conhecido como eleição indiretae serve para definir quem comandará o Estado pelo período restante até o fim do mandato, previsto para 5 de janeiro de 2027.
A eleição indireta deve acontecer dentro do prazo legal após as renúncias — normalmente em até 30 dias após a vacância dupla. Enquanto isso, o comando do Estado fica provisoriamente nas mãos do presidente da Assembleia Legislativa, que é, atualmente, o deputado estadual Ezequiel Ferreira (PSDB).
Ezequiel Ferreira: interino e peça central do processo
Especialistas têm destacado que, do ponto de vista constitucional, Ezequiel Ferreira tem “obrigação” de assumir o governo caso as duas renúncias ocorram, pois é o próximo na linha sucessória. A única forma de ele se esquivar da função — segundo juristas — seria renunciando também à presidência da Assembleia, o que o deixaria fora da linha sucessória imediata.
Esse cenário torna Ezequiel figura central na sucessão estadual e também nas articulações políticas que antecedem a eleição indireta, já que comandará o Executivo estadual de forma interina até que os deputados escolham o novo governador.
Disputa partidária e candidaturas
Com a eleição indireta próxima, partidos já começaram a movimentar suas estratégias dentro da Assembleia Legislativa. O Partido dos Trabalhadores (PT), por exemplo, confirmou o nome do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, como seu candidato ao “mandato-tampão” — o período de governo que vai de abril a dezembro de 2026 — caso consiga apoio suficiente entre os deputados.
Do lado da oposição, movimentos dentro da base governista e de grupos de centro-direita também estão em andamento, com articulações para apoiar nomes que contemplem uma alternativa ao PT nesse processo indireto.
O impacto político do processo
A eleição indireta no RN traz importância não apenas institucional, mas também eleitoral, já que os deputados estaduais que irão votar refletem a composição política local e as alianças partidárias formadas nos últimos anos. O resultado dessa votação pode influenciar fortemente o cenário político estadual, inclusive na eleição regular de outubro de 2026, em que serão definidos os governadores e senadores por voto direto.
Até lá, a população potiguar acompanha com atenção os desdobramentos dessa sucessão atípica, que pode definir quem estará no comando do Rio Grande do Norte durante os próximos meses e marcar uma das transições mais complexas da história recente do Estado.

