
A afirmação do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), de que a governadora Fátima Bezerra terá a “última cartada” antes de deixar o governo, revela mais do que uma estratégia administrativa: escancara o nível de tensão política que envolve a sucessão estadual no Rio Grande do Norte.
Ao classificar a possibilidade de “entregar o governo à oposição” como um “suicídio político”, Cadu deixa claro que o Palácio Potengi trabalha com um cenário de risco elevado. A fala indica que o governo reconhece dificuldades concretas para viabilizar uma eleição indireta tranquila e, ao mesmo tempo, admite que a permanência de Fátima no cargo até o fim do mandato não está descartada — apesar dos sinais anteriores de que ela poderia se afastar para disputar novo espaço político.
Na prática, a declaração reforça a percepção de que o PT ainda não conseguiu construir maioria sólida na Assembleia Legislativa capaz de garantir uma transição sem sobressaltos. A “última cartada”, mencionada pelo secretário, passa a ser interpretada como uma decisão política extrema: ou a governadora assegura um ambiente absolutamente controlado para a eleição indireta, ou opta por não sair, evitando o risco de perda do comando do Executivo estadual.
O discurso também evidencia um governo mais defensivo do que propositivo neste momento. Ao falar em “suicídio político”, Cadu Xavier sinaliza que o grupo governista enxerga a oposição fortalecida e preparada para explorar qualquer vacilo institucional. Isso altera o equilíbrio do jogo e aumenta o poder de barganha do Legislativo, que passa a ser peça central no desfecho do processo.
Do ponto de vista eleitoral, a fala tem impacto direto. Ela enfraquece a narrativa de transição planejada e fortalece a ideia de um governo acuado, que joga suas últimas fichas para preservar espaço político. Para a oposição, o discurso funciona como combustível; para aliados, acende o alerta sobre a real capacidade de articulação do governo neste momento decisivo.
Em resumo, a entrevista de Cadu Xavier não apenas antecipa um movimento estratégico de Fátima Bezerra, mas também expõe a fragilidade do cenário político atual no RN, onde cada decisão pode redefinir alianças, projetos eleitorais e o comando do Estado nos próximos anos.

