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O efeito Thabatta: como uma vereadora virou um dos maiores fenômenos eleitorais do RN; por Breno Lacerda

Sua trajetória chama atenção pela velocidade. Em 2020, foi eleita vereadora em Carnaúba dos Dantas, um pequeno município do Seridó potiguar. Naquele período, viveu um dos momentos mais difíceis de sua vida com a perda da mãe para a Covid-19, episódio que marcou profundamente sua história pessoal.

Pouco tempo depois, deu um salto considerado improvável por muitos analistas. Disputou uma vaga na Câmara Municipal de Natal e tornou-se a mulher mais votada da história da capital potiguar para o cargo de vereadora, consolidando uma liderança que rapidamente ultrapassou os limites do Legislativo natalense.

Desde então, Thabatta construiu uma presença política fortemente apoiada nas redes sociais e no contato direto com a população. Sua comunicação espontânea, aliada à capacidade de mobilização, transformou-a em um dos nomes mais conhecidos da nova geração da política do Rio Grande do Norte.

Na última eleição para deputada federal, embora não tenha conquistado uma cadeira, ultrapassou a marca de 40 mil votos, desempenho expressivo para uma candidatura sem a estrutura tradicional que costuma impulsionar campanhas estaduais. O resultado também chamou atenção por superar votações de nomes historicamente consolidados na política potiguar.

Agora, o cenário parece diferente.

O que se desenha para a disputa deste ano é a possibilidade de Thabatta figurar entre as candidatas mais votadas do estado. E talvez o aspecto mais curioso desse crescimento seja justamente a ausência do modelo clássico de construção eleitoral. Até o momento, sua trajetória não tem sido marcada pela divulgação de uma ampla rede de apoios de prefeitos ou grandes lideranças municipais, algo que tradicionalmente pesa nas eleições proporcionais do Rio Grande do Norte.

Ainda assim, por onde passa, a recepção costuma chamar atenção. Em eventos populares, festas e agendas públicas, Thabatta frequentemente atrai filas para fotos, mobiliza apoiadores e demonstra uma capacidade de engajamento que vai além do ambiente digital. É um tipo de capital político que não nasce necessariamente dos gabinetes, mas da identificação construída junto ao eleitorado.

Outro elemento importante de sua trajetória está nas causas que abraçou desde o início da vida pública. A defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+, especialmente das pessoas travestis, a luta pelas mães atípicas e a convivência diária com o irmão Rian, que possui deficiência, ajudaram a moldar uma atuação política fortemente associada às pautas de inclusão e direitos humanos.

Naturalmente, eleição se decide nas urnas, e projeções não representam resultados. Campanhas mudam de rumo, alianças são refeitas e o comportamento do eleitor pode surpreender até os observadores mais experientes.

Mas, independentemente do desfecho, um fato parece difícil de contestar: Thabatta Pimenta já deixou de ser apenas uma promessa da política potiguar. Tornou-se um dos fenômenos eleitorais mais relevantes surgidos no Rio Grande do Norte nos últimos anos, justamente por desafiar a lógica tradicional de que uma candidatura competitiva depende, necessariamente, de grandes estruturas políticas. Se esse capital de popularidade será suficiente para transformá-la em uma das deputadas federais mais votadas do estado, somente as urnas responderão. Até lá, seu crescimento continuará sendo um dos movimentos mais interessantes desta eleição.

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