Júnior Colaça tem decisão desfavorável divulgar apoio do ex deputado Raimundo Fernandes montado com IA.

A decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte contra o candidato a deputado estadual Júnior Colaça acende um alerta que vai muito além de uma disputa eleitoral. O episódio expõe um dos lados mais perigosos do uso da inteligência artificial na política: a possibilidade de fabricar declarações, apoios e manifestações que nunca existiram.
Segundo a decisão, um vídeo de campanha utilizou inteligência artificial para reproduzir a imagem e a voz do ex-deputado estadual Raimundo Fernandes, falecido em 2023, fazendo uma suposta manifestação de apoio à candidatura. A Justiça determinou a retirada do conteúdo e proibiu novas publicações semelhantes.
É preciso dizer com clareza: a inteligência artificial pode ser uma ferramenta extraordinária, mas não pode se transformar em instrumento de manipulação eleitoral.
Júnior Colaça, ao recorrer a uma tecnologia capaz de colocar na boca de uma pessoa falecida uma declaração política que ela não poderia mais fazer, cruzou uma linha extremamente delicada. Não se trata apenas de criatividade ou inovação tecnológica. Trata-se de preservar a verdade, a memória de quem morreu e, principalmente, o direito do eleitor de saber o que é real e o que é artificial.
Imagine o tamanho do problema se esse tipo de prática virar rotina nas eleições: candidato aparecendo ao lado de políticos mortos; lideranças declarando apoios que nunca deram; adversários fazendo críticas que jamais fizeram; vídeos falsos circulando em grupos de WhatsApp e redes sociais a poucas horas de uma votação.
A tecnologia pode produzir uma mentira com aparência de verdade em poucos segundos.
E eleição não pode ser vencida pela capacidade de fabricar uma realidade paralela.
O caso também deveria servir de alerta para todos os candidatos. A inteligência artificial veio para ficar, inclusive na política. Mas seu uso precisa estar submetido à transparência, à responsabilidade e às regras eleitorais. Criatividade não pode ser desculpa para enganar o eleitor.
A liminar contra Júnior Colaça deve ser encarada como um sinal amarelo para as próximas eleições: quem pretende disputar um mandato precisa convencer o eleitor com suas próprias propostas, sua própria história e seus próprios argumentos.
Usar a imagem e a voz de uma pessoa falecida para criar um apoio político artificial não é modernidade.
É um perigoso atalho entre tecnologia, propaganda e manipulação.
E, quando a inteligência artificial começa a fabricar até mesmo quem apoia um candidato, a Justiça Eleitoral precisa — e deve — colocar limites.

