Talvez essa seja uma das perguntas mais incômodas que a política do Rio Grande do Norte precisa enfrentar.

O eleitor reclama da classe política, reclama da falta de emprego, reclama da saúde, da educação, da segurança, dos impostos e da falta de oportunidades.
Reclama de tudo.
Mas chega a eleição e, curiosamente, muitos correm para colocar no poder exatamente os mesmos políticos que passaram quatro anos decepcionando suas expectativas.
É uma espécie de masoquismo eleitoral.
Apanha quatro anos, reclama quatro anos e, quando chega a hora de dar o troco, aperta o mesmo número na urna.
E assim a história se repete.
Deputados estaduais que se perpetuam no mandato. Deputados federais que transformaram a política em profissão. Senadores que passam anos em Brasília e continuam pedindo voto como se estivessem começando agora.
E o eleitor continua acreditando que, desta vez, será diferente.
Não será.
Político profissional conhece muito bem o eleitorado. Sabe explorar a memória curta, distribuir promessas, aparecer em festas, inaugurações, redes sociais e fotografias.
Depois da eleição, a conversa muda.
O eleitor volta para a fila do hospital.
Volta para o ônibus.
Volta para o salário apertado.
Volta para o desemprego.
E o político volta para Brasília.
ROGÉRIO MARINHO É UM CASO À PARTE?
O senador Rogério Marinho é um dos nomes que mais provoca esse debate no Rio Grande do Norte.
Sua atuação política e suas posições em relação ao mundo do trabalho e à economia são claramente identificadas por seus adversários com uma agenda liberal e próxima aos interesses do setor empresarial.
Seus defensores dirão que ele está defendendo modernização econômica, liberdade para empreender e geração de empregos.
Tudo legítimo dentro da democracia.
Mas então que o eleitor saiba exatamente o que está votando.
Não dá para votar em um político e depois descobrir, no exercício do mandato, que suas prioridades não coincidem com aquilo que o eleitor imaginava.
O trabalhador precisa prestar atenção.
O pequeno empresário precisa prestar atenção.
O servidor público precisa prestar atenção.
O aposentado precisa prestar atenção.
Todo mundo precisa prestar atenção.
Porque Brasília não é palco de brincadeira. As decisões tomadas por deputados e senadores mexem diretamente com o salário, os direitos, os impostos, as aposentadorias, os empregos e a vida de milhões de brasileiros.
A CULPA É SÓ DO POLÍTICO?
Não.
E talvez essa seja a parte mais difícil de admitir.
Político ruim não nasce sozinho. Ele é produzido também por um sistema eleitoral alimentado pelo voto.
Se um político passa quatro anos decepcionando o eleitor e mesmo assim consegue renovar o mandato, qual é o incentivo para mudar?
Nenhum.
Enquanto houver voto garantido, haverá político confortável.
Enquanto houver eleitor que troca seu voto por favor pessoal, haverá político fazendo favor em vez de exercer mandato.
Enquanto houver gente escolhendo candidato apenas porque “sempre votei nele”, a velha política continuará agradecendo.
E talvez seja justamente isso que alguns políticos mais desejam:
um eleitor indignado, mas previsível.
Indignado durante quatro anos.
Previsível no dia da eleição.
CHEGA DE SER MASSA DE MANOBRA
O eleitor potiguar precisa entender uma coisa:
político não é amigo íntimo, não é ídolo e muito menos dono do seu voto.
É empregado do povo.
Recebe salário do dinheiro público.
Tem mandato concedido pelo eleitor.
E deve ser cobrado como qualquer trabalhador.
Quem trabalhou bem, merece continuar.
Quem decepcionou, deve ser substituído.
Sem paixão.
Sem idolatria.
Sem fanatismo.
Porque enquanto o eleitor continuar elegendo político por amizade, tradição, promessa ou paixão partidária, a política continuará sendo um excelente negócio para poucos e um péssimo negócio para muitos.
A pergunta agora é simples:
O eleitor potiguar vai continuar reclamando da pancada ou finalmente vai aprender a escolher quem segura o voto — e não quem segura o eleitor?
A urna não bate.
Quem bate é a escolha errada.

