
A política do Rio Grande do Norte vive, nos últimos anos, um evidente desequilíbrio de representatividade regional. No Oeste potiguar, esse vácuo tem nome e sobrenome: Getúlio Rego. A ausência do ex-deputado estadual na Assembleia Legislativa não é apenas simbólica; ela é sentida na prática, sobretudo por municípios que historicamente dependiam de uma atuação parlamentar firme, experiente e comprometida com as demandas do interior.
Com uma trajetória que atravessa mais de três décadas no Parlamento estadual, Getúlio Rego construiu uma representação sólida, baseada no conhecimento profundo da realidade regional e na capacidade de articulação política. Sua não reeleição em 2022 interrompeu uma presença constante, mas não dissolveu seu capital político. Ao contrário do que muitos imaginavam, a votação expressiva obtida sem o peso do mandato revelou que sua base permanece ativa, fiel e atenta.
A área da saúde pública talvez seja o exemplo mais evidente desse vazio. Hospitais regionais, municípios de pequeno e médio porte e lideranças locais sentem falta de um parlamentar que cobrava, articulava e acompanhava de perto as necessidades da população. Em tempos de discursos fáceis e atuação distante, a falta de uma voz experiente torna-se ainda mais perceptível.
No Alto Oeste, especialmente em Pau dos Ferros, a força política construída por Getúlio Rego permanece viva. A trajetória administrativa de seu filho, Leonardo Rego, à frente da Prefeitura por três mandatos, consolidou um grupo político que mantém raízes profundas na região e reforça a conexão histórica com o eleitorado.
Não é exagero afirmar que Getúlio Rego representa um tipo de liderança cada vez mais rara: a que alia longevidade à efetividade. Foram 10 mandatos consecutivos, iniciados em 1982, período suficiente para compreender os caminhos institucionais do Estado e transformar demandas regionais em políticas públicas concretas.
À medida que o debate sobre 2026 começa a ganhar forma, o nome de Getúlio Rego reaparece não por nostalgia, mas por necessidade política. O Oeste potiguar carece de representação consistente, e o Rio Grande do Norte sente falta de parlamentares com lastro, memória institucional e compromisso regional. Diante desse cenário, sua eventual volta ao processo eleitoral surge menos como uma possibilidade e mais como uma resposta a um vazio que insiste em permanecer.

