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Governadora Fátima Bezerra: de estilingue a vidraça


Uma coisa é ser estilingue — baladeira, como se diz lá na minha Pau dos Ferros. Outra, bem diferente — e diametralmente oposta — é ser vidraça.

O Partido dos Trabalhadores (PT) sempre ocupou o papel de oposição no Rio Grande do Norte. E, como toda oposição vigilante, reagia com veemência a qualquer medida que cheirasse a injustiça, sobretudo quando atingia o funcionalismo público, retirando direitos ou suprimindo conquistas. Nessas horas, “caía de pau”, como manda o figurino popular.

A atual governadora foi, por muito tempo, uma das vozes mais ruidosas dessa militância. Especializou-se em protestos em defesa de professores e servidores. Construiu sua trajetória política — e seus sucessivos mandatos — nos escaninhos dos sindicatos e nos pórticos do Centro Administrativo. Foi ali que se projetou. Foi ali que se legitimou politicamente.

Pois bem.

Hoje, investida na condição de gestora — logo, vidraça — Fátima Bezerra parece ter migrado para o extremo oposto do cabo de guerra. Age como se jamais tivesse vivido aquele passado sindical, como se nunca tivesse empunhado o estilingue contra governos que classificava como insensíveis.

O exemplo mais gritante está no tratamento dispensado aos aposentados e pensionistas do Estado. Num gesto que beira o desumano, essas categorias seguem, até hoje — 12 de janeiro de 2026 — sem receber o 13º salário que lhes é devido. Gente que trabalhou a vida inteira, que contribuiu regularmente, que hoje sobrevive de rendimentos já minguados, permanece à espera do que lhe pertence por direito.

“De sapato alto” — num paradoxo evidente em relação ao discurso simples e popular que marcou sua trajetória — a governadora parece agora desdenhar justamente daqueles que dizia defender. O servidor aposentado, hoje, não encontra valor, nem respeito, nem credibilidade nos gestos do governo que ajudou a eleger.

E assim, quem ontem atirava pedras, hoje se comporta como se estivesse blindado contra elas. Mas a memória — essa, sim — não esquece. E a história costuma cobrar com juros.

Como dizia minha avó Alzira, de saudosa memória:

“Deus está vendo.”


Licurgo Nunes Quarto

Odontólogo

Pau dos Ferros/ Natal (RN)

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