
Maria José Gurgel e Wagner Rosado são alvos de apuração do Ministério Público por suposto desvio de função, peculato e uso da máquina municipal em benefício eleitoral.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP-RN) investiga a ex-prefeita Maria José de Oliveira Gurgel Costa e o advogado Wagner Rosado da Escóssia, atual Controlador Interno da Câmara Municipal de Martins, por suposta prática de crimes contra a administração pública, desvio de função, peculato, advocacia administrativa e improbidade. As investigações, baseadas em ampla documentação, revelam um forte esquema de ocupação irregular de cargo público e uso da máquina municipal em benefício político eleitoral.
De acordo com os documentos, Wagner Rosado foi contratado em janeiro de 2021 como Assessor Jurídico temporário da Prefeitura de Martins, mas, em apenas três dias, assumiu ilegalmente as funções de Controlador Interno do Município, cargo comissionado de livre nomeação que exige ato formal do chefe do Executivo. A nomeação nunca ocorreu, mas ele exerceu o cargo por quatro anos, recebendo vencimentos superiores ao teto legal: R$ 5.600 mensais, quando o subsídio oficial era de R$ 3.500 em 2021 e R$ 4.000 nos anos seguintes.
A investigação aponta que a manutenção de Wagner no cargo sem nomeação formal teria contado com a anuência direta da então prefeita Maria José, que se beneficiou da atuação do servidor em atividades particulares e eleitorais durante o horário de expediente público.
Segundo confessado nos autos do processo eleitoral n° 0600207-29.2024.6.20.0038, Wagner utilizou dias de trabalho, com deslocamento custeado pelo erário, para acompanhar o esposo da ex-prefeita, Marcos Gurgel Costa (Bozó), e outras pessoas a cartórios em Pau dos Ferros e Mossoró. O objetivo era lavrar atas notariais para fundamentar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral
(AIJE) contra a chapa eleita em 2024.
Wagner Rosado, que atualmente ocupa o cargo de Controlador na Câmara de Martins, não se manifestou sobre as acusações, mesmo após ser intimado pelo MP.
O caso segue em análise pela Promotoria de Justiça da Comarca de Martins. Se comprovadas as irregularidades, os envolvidos poderão responder nas esferas cível, administrativa e penal.

