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Rompimento de Walter Alves com Fátima Bezerra abre caminho para eleição indireta de governador tampão no RN

O anúncio do rompimento oficial do vice-governador Walter Alves (MDB) com a governadora Fátima Bezerra (PT), somado à confirmação de que ele será candidato a deputado estadual nas eleições de 2026, consolidou um cenário que já vinha sendo projetado nos bastidores da política potiguar: a possibilidade concreta de uma eleição indireta para escolha de um governador tampão no Rio Grande do Norte.

Caso o afastamento de Fátima Bezerra se confirme, a eleição deverá ocorrer entre os meses de abril e setembro, período em que o novo chefe do Executivo estadual será escolhido pelos deputados e deputadas estaduais com mandato vigente, conforme determina a legislação para situações de vacância nos últimos anos de mandato.

Assembleia dividida em três blocos

De acordo com informações do Blog do Barreto, a Assembleia Legislativa do RN está hoje organizada em três grandes blocos políticos.

O primeiro grupo, numericamente o maior, é ligado ao senador Rogério Marinho (PL), reunindo Adjuto Dias (MDB), Coronel Azevedo (PL), Cristiane Dantas (SDD), Dr. Kerginaldo Jácome (PL), Gustavo Carvalho (PL), Tomba Farias (PL), José Dias (PL), Taveira Júnior (União Brasil), Nelter Queiroz (PSDB), Terezinha Maia e Ezequiel Ferreira (PSDB).

O segundo bloco é formado pela base da governadora Fátima Bezerra, composta por Divaneide Basílio (PT), Dr. Bernardo Amorim (PSDB), Eudiane Macedo (PV), Francisco do PT (PT), Isolda Dantas (PT), Ubaldo Fernandes (PSDB) e Ivanilson Oliveira.

Já o terceiro grupo gravita em torno do prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil), com os deputados Galeno Torquato (PSDB), Kleber Rodrigues (PSDB), Neilton Diógenes (PP), Vivaldo Costa (PV) e Hermano Morais (PV).

Análise: cenário indefinido e correlação de forças instável

Apesar da divisão formal em três blocos, o cenário está longe de ser estanque. A eventual realização da eleição indireta marcaria, na prática, o fim do governo Fátima Bezerra, caso a governadora se afaste do cargo, provocando uma mudança profunda na correlação de forças dentro da Assembleia Legislativa.

Deputados que hoje figuram no grupo ligado a Rogério Marinho, especialmente de partidos como MDB e União Brasil, não têm compromisso automático com esse campo político em uma eleição indireta. Da mesma forma, parlamentares do PSDB que atualmente acompanham a base do PT podem rever posições diante de um novo cenário de poder e negociação.

Nos bastidores, a avaliação predominante é que as migrações de votos serão inevitáveis, impulsionadas por interesses regionais, acordos de curto prazo e pela necessidade de sobrevivência política para 2026. Com isso, nenhum dos três grupos entra na disputa com maioria consolidada, tornando a eleição indireta totalmente indefinida.

A escolha do governador tampão, portanto, tende a ser menos ideológica e mais pragmática, baseada em articulações pontuais e na construção de um nome capaz de transitar entre diferentes campos políticos. O resultado dessa disputa terá impacto direto no redesenho das alianças estaduais e poderá influenciar decisivamente o tabuleiro eleitoral de 2026.

Com o rompimento oficializado e a sucessão estadual colocada na mesa, o Rio Grande do Norte entra em um período de instabilidade política controlada, mas de intensa movimentação nos bastidores, onde cada voto poderá definir os rumos do Estado nos próximos anos.

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