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Walter é Fátima: Conversa houve, definição nenhuma

Depois de transformar a sucessão em um problema de Estado, o governo finalmente resolveu conversar consigo mesmo. A governadora Fátima Bezerra e o vice Walter Alves sentaram à mesa não para decidir, mas para constatar aquilo que todo mundo já sabia: o governo perdeu o controle do próprio roteiro.

A reunião, vendida como gesto de maturidade política, só confirma o desastre em curso. Se fosse tudo tão organizado como o discurso oficial insiste, não haveria necessidade de telefonema urgente, reunião de última hora e nota conjunta para tentar conter especulações. Quando se divulga nota, é porque o problema já escapou do gabinete.

A tal nota, aliás, é um exercício clássico de enrolação institucional. Fala em “interesses do Rio Grande do Norte”, mas terceiriza o futuro do Estado para as direções nacionais do PT e do MDB, como se o Palácio Potengi fosse uma franquia política aguardando autorização da sede. Governo mesmo, nenhum.

O acordo de 2022 virou peça de ficção. O que era combinado agora é “cenário em avaliação”. O que era compromisso virou “possibilidade”. E o que era liderança virou dependência. Tudo isso sob a batuta de um governo que achou que dava para empurrar o assunto com a barriga até abril de 2026.

Walter Alves faz o que qualquer político racional faria diante do cenário criado: escuta, adia, observa. Não é ele quem corre riscos agora. O risco é do governo que pode entregar o comando do Estado a alguém que sequer decidiu se quer a chave do gabinete.

Ao tentar nacionalizar o debate, invocando Lula e o projeto do PT para o Senado, o governo só confirma a desconexão com a realidade local. O Rio Grande do Norte virou moeda retórica, não prioridade administrativa. Quando falta articulação interna, sobra discurso grandioso.

O desfecho da reunião diz tudo: nenhum prazo, nenhuma decisão, nenhum novo encontro. Apenas abraços, fotos e mais tempo perdido. O governo sai do encontro exatamente como entrou — sem rumo, sem definição e sem autoridade política para impor qualquer encaminhamento.

No fim das contas, a maior ironia é esta: o governo não enfrenta uma crise externa. Ele é a própria crise.

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