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ENEM de 2017/2018 perde o foco e erra feio

Por Gilton Sampaio de Souza

O ENEM trouxe um tema técnico, que seria bom para os profissionais da educação e não para concluintes do ensino médio.* Por isso, perde elementos de sua finalidade específica de avaliar a capacidade de escrita e de raciocínio lógico do aluno que pretende entrar numa universidade.

O tema da redação é necessário e importante para o Brasil atualmente. Para as políticas públicas da educação básica e superior. Mas foi incoerente e inadequado para uma prova do ENEM. A própria prova do ENEM seria reprovada (caso submetida à avaliação), como redação, por não ter coerência tema e objetivos do exame.

O tema envolve a discussão sobre surdez, educação de surdos e formação educacional, que podem ter, como subtemas,


(i) inclusão;
(ii) formação educacional de minorias;
(iii) problemas estruturais das escolas para usuários de LIBRAS/surdos;
(iv) problemas para os surdos em provas como a do ENEM, cujos conteúdos e metodologias são inaquados e inspirados nos ditos alunos normais; e
(v) os desafios da formação educacional dos surdos na *rede pública e privada* de ensino: *quais escolas privadas e públicas de educação básica têm intérpretes, tradutores e/ou porfessores de LIBRAS, para atender os surdos?,*entre outros.


Mais uma questão: Os desafios para uma formação educacional de surdos é tema de domínio de alunos do ensino médio?

Nem nós, profissionais da Letras, que somos em grande parte os maiores responsáveis pela formação dos surdos, especialmente na área de LIBRAS, não dominamos bem esse tema. São muitas as variáveis envolvidas. Para escrever sobre ele, precisaríamos fazer pesquisas.

O tema do ENEM foi inadequado aos propósitos primeiros do próprio ENEM e chega a ser cômico pela incoerência entre a temática técnica e o público-alvo da prova.

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