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O DESASTRE MOTIVACIONAL NO SERVIÇO DE POLÍCIA

É um conhecimento notório que ter um quadro de funcionários motivados é fundamental para o sucesso de qualquer iniciativa ou empreendimento. Essa verdade, amplamente desconsiderada na gestão pública, é um dos grandes problemas da Segurança Pública, pois só há uma palavra para caracterizar o grau de desestímulo do servidor policial, em geral: catastrófico!

Para começo de conversa, o serviço Policial é um dos mais estressantes que existem, segundo pesquisas científicas. Imagine quando tal serviço é realizado sem estrutura adequada, sem segurança, em desacordo com as leis que amparam o trabalhador, com baixos salários, sem pagamento de salários em dia, em suma, imagine ser Policial no Brasil.

Contabilize o fato de que o Policial é um servidor que arrisca a própria vida para ajudar a fazer justiça na Sociedade, mas que tem a impressão de que o Judiciário é sua Oposição. O chavão “Polícia prende, Justiça solta” é uma forma simples para explicar o porquê de muitos bons policiais “jogarem a toalha” com que “enxugam gelo” todo dia, com grande risco de vida. Não causa encanto profissional a atenção dispensada pelo Ministério Público a detalhes do serviço policial que podem até exonerar o servidor, enquanto deixa de ver as condições de trabalho a que o Estado obriga o policial a combater numa verdadeira guerra civil – disfarçada de ” crise de segurança”.

As leis brasileiras, notadamente durante as gestões Federais do PSDB, PT e PMDB tem se modificado amplamente no sentido de dificultar o trabalho dos Operadores de Segurança Pública, proteger o criminoso e garantir a piora sistêmica da Insegurança. Não é à toa que os últimos 20 anos viram a explosão de todas as estatísticas criminais, a desmoralização das Polícias, a ascensão das Facções Criminosas e dos Direitos Humanos dos marginais, a Guerra Civil franca nas ruas e o extermínio e subjugação da população aterrorizada. O destaque negativo vai para o Estatuto do Desarmamento, o Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como para as Audiências de Custódia – três mecanismos para a vitória do crime, vendidos oficialmente como medidas de “proteção” e “garantias de direitos fundamentais”. Há vários outros dispositivos legais nesse modelo.

A mídia brasileira, notadamente certa rede de televisão, apóia a desmoralização total das polícias de várias formas, vendendo uma imagem tão negativa das instituições policiais que mereceriam freios em qualquer país sério – coisa que o Brasil há tempos tem alardeado não ser ao mundo todo, através dessa mesma mídia! É simplesmente insana a apologia de todo o tipo de safadezas por tais veículos de comunicação social, em detrimento dos bons valores e de seus guardiões legais. É triste ver a marginalização dos policiais, numa inversão total de valores… Afeta o moral de todo Policial, com certeza! De fato, muitos policiais se escondem.

E a bandidagem, cada vez mais impune, mais numerosa, mais bem armada, mais ousada e agindo com iniciativa contra uma Sociedade apalermada, contra uma instituição “polícia” fraca, contra um Estado omisso. Os criminosos agora matam policiais e seus familiares, atacam Delegacias e Bases de Polícia, realizam insurgência e terrorismo na estrita definição dos termos, mas nada se faz, em termos concretos. Os gestores eleitos vivem entre mentiras e meias-medidas paliativas, sendo incapazes, ou mesmo cúmplices, da situação em piora. Em geral, viram as costas para as Polícias e para a população.

Os Policiais, em geral, se sentem como fazendo parte de um exército derrotado, pois não há como vencer quando se é abandonado e combatido pelo próprio Estado. Para piorar, a situação é agravada por divisões internas, relações profissionais arcaicas e problemas de “ego” dentro das próprias instituições: se diz que um animal moribundo morde as próprias feridas, e tal é o caso das polícias.

A verdade é que muitos já desistiram, outros são chamados de “doidos” por continuarem combatendo ( mesmo com tudo contra) e alguns… Ah! Alguns nunca vestiram a camisa da Polícia.

É claro que esse desestímulo para o trabalho reflete na própria prestação do serviço, retroalimentando a série de condições amplamente desfavoráveis que as Polícias vem enfrentando em seu dia-a-dia. Quem perde? Todos nós! Quem ganha? O crime! Quem pode resolver? Os gestores públicos… E por que não o fazem? Fica o debate!

Esteja claro: a valorização do Policial que trabalha pelo bem da Sociedade é a única forma de vencer essa Guerra Civil. Enquanto a atitude for outra, a espiral é descendente.

Erick Guerra, O Caçador

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