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Última pá de cal: derrotas podem marcar despedida de Getúlio Rêgo e Walter Alves da política

As urnas de 2026 podem ter colocado a última pá de cal sobre duas das mais tradicionais trajetórias da política do Rio Grande do Norte. Getúlio Rêgo e Walter Alves não conseguiram alcançar o objetivo eleitoral e o resultado abre espaço para uma pergunta inevitável: chegou ao fim a participação dos dois na política eleitoral?

No caso de Getúlio Rêgo, o resultado tem um peso ainda mais simbólico. Médico e uma das figuras mais longevas da política potiguar, Getúlio construiu uma carreira marcada por sucessivos mandatos na Assembleia Legislativa e por uma forte presença política no Alto Oeste, especialmente em Pau dos Ferros e municípios da região.

Durante décadas, seu nome esteve entre os mais conhecidos do eleitorado potiguar. Entretanto, o tempo mudou o cenário político, novas lideranças surgiram e antigos grupos perderam parte da força eleitoral que possuíam.

A eleição de 2026 pode representar, portanto, o encerramento de um dos ciclos mais duradouros da política do Rio Grande do Norte.

Walter Alves e o peso da tradição

A situação de Walter Alves também chama atenção.

Filho do ex-senador e ex-governador Garibaldi Alves Filho, Walter representa uma das famílias de maior tradição política do estado. Foi deputado estadual, deputado federal e chegou à vice-governadoria do Rio Grande do Norte.

Durante décadas, o sobrenome Alves esteve diretamente ligado às principais disputas eleitorais do estado. Garibaldi Alves, Aluízio Alves, Henrique Eduardo Alves e outros integrantes do grupo exerceram enorme influência na política potiguar.

Walter aparecia como um dos nomes responsáveis pela continuidade desse legado.

O resultado das urnas, entretanto, mostra como a política do Rio Grande do Norte passou por uma profunda transformação. Estruturas partidárias tradicionais, sobrenomes históricos e antigas bases eleitorais já não garantem, sozinhos, uma cadeira no Legislativo.

O fim de dois ciclos?

Getúlio Rêgo e Walter Alves pertencem a gerações diferentes, mas suas trajetórias carregam algo em comum: ambos representam grupos políticos que durante décadas tiveram enorme protagonismo no Rio Grande do Norte.

Por isso, suas derrotas não podem ser analisadas apenas pela quantidade de votos.

Existe um significado político muito maior.

No Oeste, a eventual saída de Getúlio Rêgo abre espaço para uma reorganização das lideranças regionais e para a disputa pela herança eleitoral construída durante décadas.

No caso de Walter Alves, o resultado levanta uma questão ainda mais ampla: quem ocupará o espaço político de uma família que esteve no centro do poder potiguar por gerações?

É cedo para decretar definitivamente a aposentadoria de qualquer político enquanto não houver manifestação expressa dos próprios protagonistas. Política é uma atividade na qual retornos são frequentes.

Mas as urnas mandaram um recado difícil de ignorar.

Caso Getúlio Rêgo e Walter Alves decidam não disputar novas eleições, 2026 entrará para a história como o ano em que dois importantes ciclos da política potiguar começaram a fechar suas portas.

Não se trata apenas da derrota de dois candidatos.

Pode ser o fim de uma era.

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