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UMA CARTA ABERTA DE APELO AO PT E AO PRESIDENTE LULA

Por Paulo Dalla

Sou um eleitor histórico do PSDB. Votei duas vezes em Fernando Henrique Cardoso, além de ter votado em José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves — voto que hoje não repetiria. Desde 2018, tenho votado no PT, tanto pela minha avaliação sobre o que representa a extrema direita quanto pelo reconhecimento de muitas das políticas públicas implementadas pelos governos de Lula.

Mas esta carta não é sobre a extrema direita nem sobre os eventuais acertos das políticas de Lula. É sobre a encruzilhada histórica diante na qual se encontram o PT e o próprio presidente.

Acredito que somente uma frente ampla, com disposição para abrir mão do controle de algumas áreas e de pontos importantes de seu programa de governo, poderá evitar a derrota e, consequentemente, o domínio completo dos três Poderes da República pelo bolsonarismo.

Muitas críticas escondem um profundo ódio de classe

Discordo do tom adotado por muitos críticos de Lula — especialmente daqueles que pertencem ao centro e à direita não bolsonarista. A acidez, o inconformismo e o desprezo dirigidos à figura do presidente parecem, em muitos casos, ultrapassar os limites da divergência política. Há nuances que talvez só possam ser explicadas por um profundo ódio de classe, daqueles que se escondem muito abaixo da pele.

Imagino que Lula carregue mágoas de muitas pessoas que lhe deram as costas durante o período em que esteve preso — empresários, jornalistas e outros setores da sociedade. Ele próprio já mencionou isso publicamente. Também compreendo que possa ter planejado este quarto governo como a etapa final de sua trajetória política, com o propósito de deixar uma marca histórica e aprovar medidas que considera fundamentais.

Muitas dessas propostas, porém, são justamente o alvo das críticas mais duras — e, por vezes, mais preconceituosas — a que me referi.

A encruzilhada histórica de Lula e do PT

A encruzilhada histórica do PT e de Lula é clara: perder as eleições sem se submeter a uma negociação que implique a formação de uma frente ampla ou aceitar concessões profundas para impedir um desastre nacional.

Talvez, para o PT, o cálculo político de longo prazo indique que a primeira opção seja a mais coerente: perder, mas preservar sua identidade e seu programa, evitando uma aliança que poderia transformar o próximo governo em refém de ideias que não são as suas — especialmente no campo econômico —, ainda mais diante de um Parlamento não apenas hostil, mas possivelmente inimigo.

A outra alternativa é construir essa aliança e impedir que o Brasil mergulhe em um período de destruição institucional e social, sem os freios e as salvaguardas que existiram entre 2018 e 2022. Essa escolha talvez não seja a mais confortável para o PT, mas influenciará profundamente a maneira como Lula entrará para a história.

Não sei qual caminho ele escolherá. Mas torço, sinceramente, para que tenha a grandeza de adequar o último ato de sua trajetória política ao que é possível diante da realidade escancarada, preservando algo maior: um mínimo de estabilidade das instituições.

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